Crónica de Uma Guerra Inventada
Crónica de uma Guerra Inventada fala-nos, sem rebuços, dos homens e mulheres que em São Tomé, um paraíso africano, foram vítimas da ignomínia, do arbítrio dos mecanismos de tortura e de morte de que um regime desumano se serviu para submeter e escravizar todo um povo. Servindo-se de dados factuais, Sum Marky constrói a denúncia pungente de um colonialismo sem regras, impiedoso e bárbaro, que não olhava a meios para atingir os seus mais hediondos fins. A história segue Manuel João da Palma Carlos, advogado de defesa dos presos políticos acusados de terem participado no golpe engendrado pelo Governador e seus tenentes, estes comungados com as grandes roças cujos proprietários viviam faustosamente em Lisboa. O toque humano da história é-nos dado pela notável personagem Sum Clé-Clé, sábio, demiurgo, curandeiro das doenças da alma, porque é aí que tudo adoece; pelo relato da sua amizade com o médico branco da roça do Senhor Marquês. É uma história de seduções, de um tempo colonial português onde, no meio da voragem, era ainda possível haver espaço para pensar a dignidade e os grandes sentimentos — o amor, a amizade e a liberdade.
Romance sobre a mistificação e o despotismo, sobre uma guerra inventada pelos mesquinhos interesses do colonialismo: o cacau, os grandes interesses do capital e dos fazendeiros, a corrupção generalizada dos grandes senhores, as atrocidades da máquina repressiva de um governador megalómano, amoral e sórdido, tudo isto tratado como um longo processo Kafkiano, um processo policial sobre o absurdo no qual o real é tão excessivamente denunciador que nos fere de vergonha e de espanto. Enfoque histórico de Carlos Pacheco (prefaciador) que situa o leitor perante os acontecimentos verídicos que deram origem a este romance e as razões pelas quais até hoje nunca foram abordados.
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Descrição
Um romance notável e corajoso onde pela primeira vez se aborda um dos acontecimentos mais incómodos da história do colonialismo português em S. Tomé e Príncipe: a revolta do Batepá. Das personagens que o habitam destaca-se a figura singular de Sum Clé-Clé, curandeiro das doenças da alma e amigo de um médico branco, ultrapassa as limitações impostas pelos factos, gerando-se uma estória feita de amizade e cumplicidades entre as duas raças que abre espaço a uma vivência comum.
Esta edição inclui um prefácio do historiador angolano Carlos Pacheco.
SUM MARKY (1911–2003), pseudónimo de José Ferreira Marques, nasceu em São Tomé e Príncipe. Autor prolífico, publicou em Lisboa durante o regime salazarista romances de denúncia política e romances eróticos que lhe garantiram sucesso e várias detenções. Sob vários pseudónimos, Ferreira Marques publicou mais de quarenta títulos. Testemunhou na primeira pessoa os terríveis acontecimentos que relatou no livro Crónica de uma Guerra Inventada e por via deles viu-se forçado a mudar-se para Lisboa. As suas obras de carácter histórico e sociológico destacam-se pela crítica social, denúncia do colonialismo e descrição da vivência insular. Os seus romances principais são Vila Flogá (1963), Crónica de uma Guerra Inventada (1999) e A Ilha do Santo (2000)
Informação adicional
| Dimensões (C x L x A) | 15,5 × 22,5 cm |
|---|---|
| Autor | |
| Outros autores | Carlos Pacheco (prefácio) |
| Colecção | |
| Editora | |
| Idioma | |
| Tipo de produto | Livros |
| Encadernação | Capa mole |
| Ano de edição | 1999 |
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