Tendo por génese um projecto editorial criado em 1976, ou seja, há quatro décadas atrás, a Nova Vega mantém inalterável o espírito cultural que animou esse projecto. Na sua continuidade, demos pois vida a novas colecções, obras e autores que em muitos casos são hoje incontornáveis. Destacamos, a título de exemplo, a área historiográfica do judaísmo, que até à criação do espaço que lhe foi consagrado tinha sido olvidada por completo, e a área dos temas africanos que fomos os primeiros a abordar de forma sistemática nas suas várias expressões, literatura, história, ensaio e biografia, criando também um espaço próprio e exclusivo para elas, e mais recentemente a colecção O Futuro, virada, como o título sugere, para as questões que actualmente mais nos preocupam, tanto internamente como externamente.

Mesmo num momento difícil em que a par da crise económica que afecta o país emerge uma outra tão grave ou mais do que essa, uma crise de valores que atinge sobremaneira o livro e a leitura, levando a maioria do público leitor a menosprezar ou ficar indiferente a obras e autores de reconhecido interesse cultural e educativo, a Nova Vega não recua e porfia nesse itinerário. Daí que, embora num ritmo mais lento, imposto pelas restrições de mercado, se tenham publicado e republicado obras tão importantes como Quinhentos Poemas Chineses, antologia do melhor da poesia chinesa desde os seus primórdios até à época actual), Tao Te Ching. O Livro da Via e da Virtude, de Lao Zi, edição bilingue (chinês/português), ambas organizadas por António Graça de Abreu, Lotte em Weimar – O Regresso da Bem-Amada, de Thomas Mann, obra nunca antes publicada em Portugal, magnificamente traduzida por Teresa Seruya, O Adeus ao Império – 40 Anos de Descolonização Portuguesa, Org. de Fernando Rosas, Mário Machaqueiro e Pedro Aires Oliveira, obra colectiva de autores nacionais e estrangeiros que faz o primeiro balanço analítico e crítico do que foi a descolonização portuguesa, Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdão, edição bilingue (latim/português), Política, de Aristóteles, edição semi-crítica, em bilingue (grego/português), dois clássicos fundamentais, Agostinho Neto. O Perfil de um Ditador – A História do MPLA em Carne Viva, de Carlos Pacheco, obra que envolveu dez anos de investigação e nos dá a conhecer a realidade da acção política e governativa desse líder africano e a verdadeira história do seu partido que tão nefastos foram para Angola.

Também a área a literatura infanto-juvenil se regeu por idênticos critérios, publicando-se e reeditando-se clássicos como O Livro dos Gatos, de T. S. Eliot, O Gato e o Diabo, de James Joyce, e Alice para ao Mais Pequenos, de Lewis Carroll, livros servidos por excelentes ilustradores de renome internacional, e Contos de Shakespeare, de Mary e Charles Lamb. Tampouco foram esquecidos os autores portugueses de quem se publicou e reeditou também uma mão cheia de bons livros, de entre os quais destacamos, Todas as Mães, de Hugo Santos, O Romanceiro Português, com introdução e notas de Urbano Tavares Rodrigues, As Fadas, de Antero de Quental, O Romance das Ilhas Encantadas, de Jaime Cortesão, e Aventuras de João-Flor e Joana-Amor, de Maria Rosa Colaço.

Convictos da validade do nosso trabalho, será nesta senda que o continuaremos a desenvolver. Assim os leitores mais exigentes nos ajudem nessa caminhada, concedendo-nos a sua atenção.

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