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O Monte Análogo

O Monte Análogo

O Monte Análogo

«Todas as mitologias falam ou de um centro original do mundo, ou de uma árvore que irrompe da terra e alcança o céu, ou ainda de um monte sagrado. Isto é: da possibilidade de comunicação com o além. Necessário (no campo mitológico) que esta possibilidade exista, que a árvore ou a montanha se ergam como coisas reais, à semelhança do Everest ou do Monte Branco.
Assim pensa René Daumal que, na sua narrativa, organiza uma expedição com o objectivo de descobrir o Monte Análogo. A descrição dos membros da dita expedição proporciona ao autor a mais completa expressão da sua fantasia.
Resumindo: o sopé do Monte é finalmente descoberto. Embora se trate de uma narrativa inacabada, o leitor persuade-se de que a expedição (agora ausente dos seus olhos) prossegue em plena ascensão.
Obviamente que as personagens e as circunstâncias de O Monte Análogo são simbólicas: assim é a literatura quando se propõe ser útil ao homem. No caso deste romance inacabado, essa característica como que se duplica, dado que todas as palavras se encontram imbuídas desse sentimento de “utilidade”. Tudo isto se ficou (e fica) a dever-se à inteligência muito personalizada de René Daumal — e a algo que poderíamos designar pelo seu “lirismo da ironia”.» — Roger Nimier

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