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História de Jesus – Para as Criancinhas Lerem

História de Jesus para as Criancinhas Leram

História de Jesus para as Criancinhas Leram

A obra religiosa de um homem que fora sempre republicano. Um dos tesouros da literatura infantil portuguesa. Poeta, assumindo desde jovem uma posição anticlerical, panfletista, criticando alguns dos seus contemporâneos, vivendo de maneira eufórica, contundente e caótica os primeiros anos da República eis que Gomes Leal, a certa altura da sua vida, compõe História de Jesus para as Criancinhas Lerem. Antes desta obra infantil, dispersara-se por cantos e recantos de múltiplas redacções e por uma boémia sem travo. Muitos são os seus títulos que contrastam com este livro — títulos não só de cariz republicano, mas também de polémica com os seus contemporâneos e com a situação que então se vivia. Eis alguns: Tributo de Sangue (dedicado aos operários portugueses); Duas Palavras sobre a Poesia Moderna (sobre a poesia de Guilherme de Azevedo); O Anti-Cristo (contra os clérigos e a Igreja); A Fome de Camões (em que trata a missão sagrada e o destino fatal dos poetas); A Orgia (n.º 1 de uma publicação mensal de política, literatura e costumes). Politicamente, e devido a certas distâncias, muda de ideologia. Tendo vivido a expensas da mãe e de uma irmã, quando as perde, é recolhido por amigos e recolhe a um albergue, na Rua do Telhal. A História de Jesus para as Criancinhas Lerem surge entre a boémia e a miséria e é um livro que marca a reconciliação de Gomes Leal com a Igreja. Obra elogiada por Teixeira de Pascoais e Vitorino Nemésio, entre outros.

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