Editor, escritor e poeta, Joaquim Vital nasceu em Lisboa em 1948. Aqui vive até 1966, ano em que, ainda jovem estudante, é preso pela PIDE, por contestar o regime ditatorial de Salazar, (conseguem-lhe a absolvição, custo, os então advogados, Mário Soares e Jorge Sampaio), e, por via disso, parte, rumo ao exílio, para Bruxelas. Mais tarde, em 1973, fixa-se em Paris, onde, cedendo ao seu gosto pelos livros e pela cultura, já evidenciado numa colaboração com uma editora de livros revolucionários, La Taupe, funda La Différence de parceria com dois amigos, o belga Marcel Paquet e o americano Patrick Waldberg. Embora o projecto inicialmente visasse a publicação de obras de arte, não tarda que Joaquim Vital abra um espaço para a literatura portuguesa e que, num trabalho meritório que suplanta o de qualquer outra entidade, dê a conhecer ao público leitor francês não só a obra de Eça, Pessoa e Fernão Mendes Pinto, mas também outros escritores como Sophia de Mello Breyner Andresen, Maria Judite de Carvalho, Vergílio Ferreira, Mário Cláudio, Vasco Graça Moura e tantos mais, traduzindo ele próprio alguns deles. Igual interesse lhe merece a escrita onde dá provas de uma invulgar poder criativo e talento literário, escrevendo e publicando na sua editora as seguintes obras: Un Qui Aboie (2000), poesia, Adieu à Quelques Personnages (2004), ensaio, La Vie et le Reste (2008), contos, e La Decouvert du Brésil (2011), novela publicada postumamente.
A sua morte ocorreu, súbita e prematuramente, aos 62 anos de idade, em Lisboa, aquando de uma das suas frequentes visitas que tinham por finalidade visitar família e amigos e curtir saudades. Pelos serviços que prestou a França e a Portugal no âmbito da sua acção editorial, pela sua envergadura intelectual e literária, Joaquim Vital é um nome que se inscreverá, por direito próprio, na história cultural de um e outro país. Daí que a Nova Vega se orgulhe de revelar ao leitor português um dos seus derradeiros livros e, porventura, o melhor.
A Vida e o Resto
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