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A Memória de Shakespeare

A Memória de Shakespeare

Sobre Borges dizia, aquando do seu falecimento, o decano dos estudiosos de literatura norte-americanos, Harold Bloom, ser o «homem que mais completamente tinha interiorizado todas as correntes literárias, canónicas ou não, do mundo ocidental.» O escritor argentino, que viu o mundo através das letras dos outros e que com elas construiu os seus mundos, nasceu em Buenos Aires em 1899 mas toda a sua formação foi europeia, feita em França e no Reino Unido. Sempre ligado ao meio literário, leitor compulsivo e voraz, fez das bibliotecas o seu lar. Explorou os mundos dos escritores que ninguém lia, os escritores menores, marginais e marginalizados, os escritores de literaturas populares, os policiais, os fantásticos, o sobrenatural. Mesmo quando perdeu a visão, continuou como director da maior biblioteca da Argentina, pedia que lhe lessem livros e ditava os seus. Homem de escritos curtos com enorme alcance, Borges teceu mundos de ficção com as ficções dos outros, escreveu sobre elas e com elas, usou-as para trabalhar as realidades e a própria noção de ficcionalidade.

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