Angola - 27 de Maio de 1977

Angola – 27 de Maio de 1977

Nesta data fatídica para muitos angolanos e alguns portugueses, uma ferida aberta para todos os sobreviventes e para os familiares e amigos daqueles que pereceram, apresentamos algumas sugestões de leitura que incluem referências aos acontecimentos que tiveram lugar em Angola durante esse período.

Destacamos em particular o estudo minucioso do historiador angolano Carlos Pacheco, Agostinho Neto — O Perfil de um Ditador. A História do MPLA em Carne Viva, obra em 2 volumes, que, para além de traçar o perfil do biografado dá a conhecer muitos factos desconhecidos sobre a luta pela independência e a guerra pelo poder no pós-liberdade, e o testemunho na primeira pessoa, de José Reis, um militante do MPLA perseguido e torturado pelos seus camaradas, condensado em dois livros: Angola, o 27 de Maio. Memórias de um Sobrevivente e Angola, o 27 de Maio. A História por Contar.
 

 

Agostinho Neto, O Perfil de um Ditador

A História do MPLA em Carne Viva
Carlos Pacheco

 
Uma obra em 2 volumes que nos revela o que foi o regime opressivo do primeiro ditador angolano e do partido MPLA. Longe de ser um grande líder, como querem fazer crer os seus idólatras, Agostinho Neto, sem o estofo de um Gandhi ou de um Mandela, no que estas personalidades tinham de mais luminoso, o culto da justiça e da generosidade, foi na realidade um tirano que governou Angola de forma despótica e sanguinolenta, traindo todos os princípios e valores das lutas pela independência patentes na proclamação de 1975, e mergulhando o país numa guerra fratricida na qual se cometeram os maiores crimes e atrocidades. Por falta dessa grandeza e envergadura não só foi incapaz de evitar o divisionismo como o fomentou, daqui resultando as consequências mais funestas para o povo angolano que ainda hoje chora os seus entes mortos e desaparecidos. Também a verdadeira história do MPLA, partido dominado por Agostinho Neto e os seus acólitos durante o seu consulado, é aqui desvendada pondo a nu todo o cortejo de barbaridades e violações dos direitos humanos que então foram cometidos contra todos os seus opositores que na maioria eram os seus próprios irmãos de raça e tinham lutado pela independência do país. Uma obra perturbante, produto de dez anos de porfiada investigação histórica, que vem pôr fim a um mito e dar a conhecer a realidade desse período trágico da vida angolana e a repercussão que teve em Portugal.

 


 

Angola, Um Gigante com Pés de Barro

(e outras reflexões sobre África e o mundo)
Carlos Pacheco

 
Esta obra é constituída por uma selecção de 36 crónicas que o autor publicou na imprensa portuguesa neste novo milénio. A selecção de textos teve como ideia base uma temática comum: Angola e África. Os temas escolhidos pelo autor são diversificados, por vezes incómodos e até polémicos. Todavia, o rigor histórico que o autor deposita na abordagem dos mesmos, alicerçando-se na documentação aturada dos factos e acontecimentos que relata e denuncia, coloca-o num patamar de credibilidade inabalável. Os textos agora publicados são as versões definitivas do autor. Não só foram revistos e ampliados, como também foram enriquecidos com detalhadas referências documentais, citações e outras informações oportunas em extensas notas de rodapé. Por todas estas razões, esta colectânea constitui uma novidade e uma oportunidade para os leitores interessados melhor se identificarem com o pensamento de um dos mais importantes historiadores luso-angolanos da actualidade.

 


 

Angola – O 27 de Maio. Memórias de um Sobrevivente

José Reis

 
O 27 de Maio marca de forma indelével um dos períodos mais trágicos da história recente de Angola. Não obstante o tempo decorrido, 43 anos, não é possível esquecer o genocídio perpetrado pelo regime angolano de Agostinho Neto, que na sequência dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977, vitimou milhares de jovens angolanos, uma parte considerável da juventude progressista e muitos patriotas. Embora militante do MPLA, José Reis, autor deste livro, não escapou à sanha persecutória da DISA e das suas arbitrariedades. Vítima delas, conhece as celas de prisão de S. Paulo em 30 de Maio de 1977 e, transferido para o campo de trabalhos forçados na Kibala, aí expia uma culpa inexistente até 1979. Porque vivido, o testemunho e a denúncia que faz desses acontecimentos, tornam a leitura deste livro obrigatória para quem, leitor comum ou historiador, queira conhecer melhor o que foi essa tragédia e a repercussão que teve em Portugal.

 


 

Angola – O 27 de Maio. A História por Contar

José Reis

 
José Reis, como ele próprio se define, não é um historiador. É antes uma testemunha viva dos trágicos acontecimentos do 27 de Maio de 1977 que mancharam a história da revolução angolana e vieram a culminar numa hecatombe que provocou milhares de mortos e deixou afectada toda uma população que ainda hoje não sabe onde eles jazem, para fazer o seu luto. Tendenciosamente preso e acusado de contra-revolucionário, ele que tinha rejubilado com o fim do colonialismo, José Reis conheceu muitos dos factos e intervenientes que protagonizaram esses acontecimentos.

 


 

Angola – O Princípio do Fim da União Soviética

José Milhazes

 
O enfoque deste livro, como o próprio título sugere, é uma tentativa, ensaiada pela primeira vez, de colocar em perspectiva uma série de questões altamente controversas, e em grande parte desconhecidas, sobre um passado ainda envolto em secretismo: o expansionismo militar soviético na África Austral, mais propriamente em Angola. Para tal, o autor acedeu a documentação dos arquivos russos e entrevistou veteranos de guerra, bem como altas personalidades da política soviética. O presente volume oferece, assim, uma ampla gama de matérias para todos quantos se interessam pela ingerência soviética em Angola e até no Golfo da Guiné. Toda a sua estrutura se ampara, do princípio ao fim, em fontes russas, trazendo ao conhecimento dos leitores de língua portuguesa um debate que, pouco a pouco, apesar do difícil acesso às fontes, começa a despontar no firmamento das preocupações da intelligentsia russa e a dar os primeiros frutos: o de saber até que ponto a intervenção em África, ditada por objectivos geopolíticos e expansionistas, respondeu efectivamente aos interesses globais do Estado russo e quais as causas do seu fracasso.
 

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